Um levantamento global sobre solidariedade revelou que o sentimento de pertencimento à comunidade e a confiança nas organizações estão entre os principais fatores que estimulam as doações. O World Giving Report 2026, elaborado pela Charities Aid Foundation (CAF) e representado no Brasil pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), ouviu mais de 60 mil pessoas em 105 países para analisar os hábitos de doação ao redor do mundo.
Segundo a pesquisa, 61% da população mundial realizou algum tipo de contribuição no último ano, seja para organizações da sociedade civil, causas religiosas ou apoio direto a pessoas em situação de vulnerabilidade. Em média, os entrevistados destinaram 1% da renda a essas iniciativas. No Brasil, o percentual foi de 0,9%, enquanto a participação de doadores caiu de 62% para 59% em 2025. Apesar disso, as doações para organizações da sociedade civil permaneceram estáveis, alcançando 28% da população, e 19% dos brasileiros atuaram como voluntários.
O estudo mostra ainda que o apoio às comunidades locais tem ganhado força. No Brasil, o número de pessoas que afirmam doar para fortalecer sua comunidade passou de 25% para 32%, enquanto aqueles que consideram a doação um dever coletivo cresceram de 39% para 48%, índice superior às médias global e sul-americana.
Transparência e demonstração de impacto também aparecem como fatores decisivos para ampliar a cultura de doação. Globalmente, 63% dos entrevistados afirmaram que mais clareza na gestão das organizações aumentaria sua disposição para contribuir. Entre os brasileiros, 27% disseram ter sido influenciados pela cobertura da mídia na decisão de doar.
“Esses movimentos apontam para um doador mais consciente, que entende seu papel na construção de soluções coletivas, e por isso também mais exigente. Transparência quanto ao uso dos recursos e clareza sobre o impacto gerado surgem como condições essenciais para o aumento das doações. O fortalecimento da confiança será decisivo para transformar a intenção em ação e consolidar uma cultura de doação mais robusta no Brasil.” afirma Paula Fabiani, CEO do Idis.
Fonte: Idis
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