Como o Terceiro Setor atua no combate à pobreza no Brasil?

Como o Terceiro Setor atua no combate à pobreza no Brasil?

O Brasil tinha 48,9 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza em 2024, o equivalente a 23,1% da população. Embora o indicador tenha recuado em relação aos 27,3% registrados em 2023, o número evidencia a dimensão do desafio para a garantia de direitos básicos no país. Nesse cenário, organizações da sociedade civil (OSCs) desenvolvem iniciativas de assistência social, segurança alimentar, educação e geração de renda voltadas a populações em situação de vulnerabilidade.

Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, 8,6 milhões de pessoas saíram da condição de pobreza entre 2023 e 2024. A extrema pobreza também diminuiu, passando de 4,4% para 3,5% da população no período.

Para calcular os indicadores, o IBGE utiliza parâmetros internacionais de renda do Banco Mundial. Na metodologia aplicada a 2024, a linha de pobreza correspondia a um rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 694 mensais. Para a extrema pobreza, o limite era de R$ 218 por pessoa ao mês.

Organizações sociais atuam no enfrentamento da vulnerabilidade

A pobreza não se limita à insuficiência de renda. O acesso irregular à alimentação, as dificuldades para permanecer na escola, a falta de oportunidades de trabalho e as barreiras para acessar serviços públicos também fazem parte do cenário de vulnerabilidade social.

As organizações da sociedade civil atuam em diferentes frentes relacionadas a esses desafios. Entre as iniciativas estão a distribuição de alimentos, o atendimento socioassistencial, a capacitação profissional e o desenvolvimento de projetos educacionais e comunitários.

A atuação varia conforme a finalidade de cada instituição e as necessidades dos territórios atendidos. Essas iniciativas podem complementar a rede de proteção social, mas não substituem a responsabilidade do poder público na garantia de direitos e na execução de políticas sociais.

A articulação entre governos, organizações sociais, empresas e comunidades é uma das possibilidades para conectar recursos, serviços e projetos às demandas da população. O diálogo entre esses atores também pode contribuir para identificar necessidades locais e desenvolver respostas mais adequadas às diferentes realidades sociais.

Insegurança alimentar integra o cenário da pobreza

A dificuldade de acesso regular à alimentação adequada é outro aspecto relacionado à vulnerabilidade social. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua): Segurança Alimentar 2024, do IBGE, 18,9 milhões de domicílios brasileiros estavam em situação de insegurança alimentar naquele ano, o equivalente a 24,2% do total. Em 2023, eram 21,1 milhões de domicílios, ou 27,6%.

O indicador considera diferentes níveis de dificuldade para obter alimentos em quantidade e qualidade suficientes, desde a preocupação com a disponibilidade de comida até situações mais graves de restrição alimentar.

Nesse contexto, iniciativas de assistência alimentar e de promoção do acesso à alimentação adequada integram as possibilidades de atuação das organizações sociais. A continuidade desses projetos depende de fatores como capacidade operacional, planejamento e disponibilidade de recursos.

Financiamento é desafio para a continuidade dos projetos

A manutenção de iniciativas sociais exige recursos e planejamento compatíveis com as necessidades dos públicos atendidos. Entre as possibilidades de financiamento das organizações da sociedade civil estão doações individuais, editais, fundos filantrópicos, investimento social privado e parcerias com o poder público.

Além da captação, a gestão financeira, a transparência e o acompanhamento dos resultados são aspectos importantes para a sustentabilidade institucional. Essas práticas ajudam as organizações a planejar atividades, prestar contas e avaliar o alcance de seus projetos.

Embora sejam elementos relevantes para a continuidade das iniciativas, os indicadores nacionais de pobreza e insegurança alimentar não medem diretamente o impacto das organizações sociais sobre a redução desses problemas. Para avaliar essa contribuição, são necessários dados específicos sobre os projetos, os públicos atendidos e os resultados alcançados.

Erradicação da pobreza está entre as metas da ONU

O enfrentamento da pobreza integra o primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), estabelecido na Agenda 2030. A meta prevê erradicar a pobreza extrema, reduzir a proporção de pessoas que vivem na pobreza em suas diferentes dimensões e ampliar a cobertura dos sistemas de proteção social.

O objetivo também prevê a mobilização de recursos para financiar políticas e programas voltados às populações em situação de vulnerabilidade. Nesse contexto, organizações da sociedade civil podem contribuir por meio de projetos, mobilização comunitária, defesa de direitos e participação em iniciativas conjuntas com outros setores.

A redução dos indicadores brasileiros em 2024 representa um avanço, mas a permanência de milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza evidencia que o desafio continua. O enfrentamento das desigualdades exige políticas públicas, oportunidades de geração de renda e iniciativas capazes de responder às necessidades sociais de diferentes territórios.

Esse conteúdo foi originalmente publicado por OngNews, em 17 de Outubro de 2026.

Os comentários estão encerrados.

Htec
Visão Geral da Privacidade

Todas as suas informações pessoais recolhidas, serão usadas para o ajudar a tornar a sua visita no nosso site o mais produtiva e agradável possível.

A garantia da confidencialidade dos dados pessoais dos utilizadores do nosso site é importante para a Htec.

Todas as informações pessoais relativas a membros, assinantes, clientes ou visitantes que usem a Htec serão tratadas em concordância com a Lei da Proteção de Dados Pessoais de 26 de outubro de 1998 (Lei n.º 67/98).

A informação pessoal recolhida pode incluir o seu nome, e-mail, número de telefone e/ou telemóvel, morada, data de nascimento e/ou outros.

O uso da Htec pressupõe a aceitação deste Acordo de privacidade. A equipe da Htec reserva-se ao direito de alterar este acordo sem aviso prévio. Deste modo, recomendamos que consulte a nossa política de privacidade com regularidade de forma a estar sempre atualizado.

Os anúncios

Tal como outros websites, coletamos e utilizamos informação contida nos anúncios. A informação contida nos anúncios, inclui o seu endereço IP (Internet Protocol), o seu ISP (Internet Service Provider), o browser que utilizou ao visitar o nosso website (como o Google Chrome ou o Firefox), o tempo da sua visita e que páginas visitou dentro do nosso website.

Ligações a Sites de terceiros

A Htec possui ligações para outros sites, os quais, a nosso ver, podem conter informações / ferramentas úteis para os nossos visitantes. A nossa política de privacidade não é aplicada a sites de terceiros, pelo que, caso visite outro site a partir do nosso deverá ler a politica de privacidade do mesmo.

Não nos responsabilizamos pela política de privacidade ou conteúdo presente nesses mesmos sites.